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Opte pelo real ao invés de se embriagar com o virtual.

Fantasias apimentam sim a vida da gente, mas se não puder haver toque, cheiro, boca, saliva – vai perdendo a graça e o interesse.

Óbvio que existem relacionamentos que se sustentam na distância – e quando menciono distância, digo centenas de quilômetros – e não quinze minutos de condução.

Há quem se deixe levar e acredite fielmente que aquilo em algum momento vai dar certo ou vai desenrolar, mas há grandes indícios que também não passe de só mais uma aventura cibernética.

Repara.

Quem quer fotos e demonstrações explícitas das suas vontades, pode sim, se deslocar até você duas horas depois que chegou do trabalho. Ou te convidar para dividir a mesa e o copo num happy hour naquela sexta feira ensolarada que findou uma semana extremamente estressante.

Não se apegue a rotinas maçantes para justificar falta de tempo. E alerto: ausência de tempo é diferente da ausência de vontade e há uma linha tênue entre as duas. Perceba as diferenças antes que seja tarde. Uma coisa, é você não estar disposto a conversar com alguém hoje, outra é você se despencar em pedidos de vídeos e imagens na madrugada quando o desejo de pele for maior que o seu bom senso e você buscar o contato certo – porque sabe que ainda há esperança de que algum dia, a sua falta de tempo se torne em horas livres para um encontro casual.

E a gente sabe quando não vai dar em nada. As redes sociais normalmente entregam tudo. Se não pode comer pizza com você, mas pode ir pra um aniversário ou baladinha alternativa, o sinal claro é um só: está disponível sim, só não te cota como companhia efetiva – e o soco no estômago se dá. Eu sei. Dói pra cacete, mas te livra e te inspira a buscar alguém que disponha dos mesmos interesses e vontades que você.

Não seja o contatinho fixo que salva a carência da madrugada. Você merece mais que isso! Se resolva com você e segue o baile!

 

Marcely Pieroni Gastaldi

 

Foto: Imagem de Tumblr

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Abandonar a zona de conforto é preciso

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O tempo passa depressa.

Massacra. Não abre espaço para dúvida. Ou você quer ou você não quer.

Sinto que quando exitamos e sentamos no muro um zilhão de oportunidades passam batidas.

E isso me sufoca.

Tenho sede de histórias.

Quero viver intensamente tudo que me desperta o interesse e a atenção.

Não costumo pensar demais. Eu (re) ajo. Em alguns momentos, isso dá certo, noutros me possibilita uma série de novos aprendizados.

Eu me sinto em paz comigo. Me sinto plena.

Mais segura. Mas também sinto que às vezes deixo a vida escorrer por entre os dedos por não me sentir tão pronta para o que ela me pede já.

É pra ontem.

E eu atá entendo a resistência, só não me obrigo a fazer o mesmo.

Não quero engarrafar sonhos. Não posso silenciar amores. Não me peça para matar meus desejos insanos – eles provocam as melhores sensações em mim.

Preservo minha loucura. Não me obrigo a dançar conforme a música. Eu me aventuro em passos improvisados e erro bonito se for preciso, mas eu saio da zona de conforto e me dou o direito de provar que posso ser melhor em algo novo se eu quiser.

E eu sempre quero. Porque o costume me incomoda. Almejo caminhos novos sempre que possível e me obrigo a fazer algo de novo só para provar que ainda sou capaz de me reinventar.

 

Marcely Pieroni Gastaldi

Assumir as próprias culpas é a raiz da solução dos nossos problemas

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Ah, me deixa.

Quer dizer então que a culpa é minha?

Você falha e eu que sou responsabilizada pela sua falta de jeito? Maduro demais da sua parte não acha? Quando é que vai se assumir? Quando é que vai verdadeiramente arcar com as consequências de suas escolhas?

Não te pedi nada, lembra? Não peguei você pela mão, nem  te incentivei a tomar nenhuma atitude. Você quem escolheu viver.

Qual o drama da vez?

Deu errado? Não foi do jeito que esperava? Se perdeu nas promessas que fez e que nós dois sabíamos que você não ia cumprir? Se perdeu nesse mundo faz de conta que tudo dá certo dentro de você e definha na parte prática, porque falta vivência? Pulso?

É tão cristalina a sua confusão. Tão acessível as máscaras que usa para camuflar todas as suas fraquezas e todos os delitos que cometeu e fugiu antes mesmo da vida curar.

Será que você não percebe? O abismo que te separa da realidade crua que te esmaga o peito é criado pela sua própria insegurança e vai continuar ganhando forças até você ter peito de admitir que está tudo errado; que precisa de pausas e tempo para se observar mais um pouco.

Quando vai se dar conta que é apenas mais um na fila do pão? Heim? E isso não é tão ruim. Não precisa de holofotes estrelares para existir não, precisa de peito e coragem e pelo que percebemos te falta tanto um pouco dos dois.

Aproveita que você está no ápice da dor e use-a para crescer. Para desprender de todos os elos passados que te fizeram cometer os mesmos erros, de diversas maneiras diferentes. Aproveita que ainda tá fresco,  que ainda arde na pele e admita sua condição prepotente de querer um culpado para administrar os próprios fiascos.

Só assim vai encerrar o ciclo que esfola o peito e te põe para baixo em questão de segundos. E não adianta fugir, só vai ter sentido e só vai dar certo com alguém quando se aceitar de verdade, quando cutucar as próprias feridas ao invés de fazer cara de paisagem e armar maneiras de se camuflar.

Primeiro tem de se resolver consigo. Depois com o mundo.

Marcely Pieroni Gastaldi

 

A arte de agradecer

Gratidão é o sentimento que me rege.
Já faz um tempo que aposentei as promessas de ano novo.
Eu tenho tentado me comprometer com atitudes que vão me mudar ao seguir nessa jornada conhecida por vida.
É.
Não adianta nada você escolher um novo caminho, se você não vai mudar seus velhos hábitos e costumes.
Precisa doer um pouquinho para valer a pena.
E quando digo doer, menciono a preguiça latente que temos de não arriscar nada que fuja da nossa zona de conforto.
Não é a cor que você usa, mas a decisão que você toma.
Altos e baixos fazem parte do pacote.
Quer você queira, quer não.
Imagina uma vida plastificada?
Quando é que você iria rever conceitos e aprender com os arranjos desafinados?
Deus é sábio.
Nos deu o direito de escolher o que queremos, mas junto vem o dever de arcar com nossas responsabilidades.
Quanta coisa né?
Coração fica até confuso.
Eu admito.
Mas ó, se serve de consolo, passa.
Tudo é passageiro.
Não estou dizendo que cara de paisagem e olhar desviado resolva alguma coisa, mas tolerância e sabedoria ajudam a equilibrar.
Repara.
Ponha em prática.
Estou feliz. Ainda que nada tenha saído como o esperado – se bem que não esperei nada – apenas me dediquei a dar o melhor de mim, pra mim e por mim.
O que não depende da gente, depena a razão, porque quando queremos soluções, queremos pra ontem, mas são esses atrasos que nos chamam a realidade que realmente importa.

Por Marcely Pieroni Gastaldi

Mudar

Faniquito se instalou. Uns tutoriais de franjas depois e eu passei a tesoura.

Aos olhos do mundo, nada mudou. Aos meus tudo se acertou.

Não medi certinho – como também não meço na vida as consequências. Eu só costumo dar espaço pra minha vida se ajeitar.

E nem sempre o jeito certo é perfeito. Muitas vezes é caos e muita gritaria.

Eu sinto uma necessidade absurda de mudar. O tempo todo pra ser exata.

Preciso do novo. Aspiro o que é fresco. Porque detesto acomodar.

Não me enche os olhos. Não me faz criar raízes.

Eu me desafio continuamente. Buscando o alto e o mais baixo.

Sou inconstante.

E me deleito sendo assim.

Não sigo padrões. Não dito regras.

Eu apenas existo dentro das minhas necessidades.

Eu olho ao redor, suspiro e agradeço.

Não paro um segundo que é pra não atrofiar.

Eu sou incerteza correta.

Dá pra entender?

Marcely Pieroni Gastaldi

A Lua (do coração) em câncer

Ele me escreveu.
Voltei dez anos no tempo pra ser mais exata.
Numa fase onde a esperança se alimentava de farelos.
Quanta coisa aconteceu de lá pra cá.
Parei pra respirar.
Me acostumei a não pensar.
A deixar solto no passado.
A visita dele veio sorrateira.
Incômoda.
Desrespeitando todas as barreiras já impostas.
Será que vivi sozinha o fim?
Ele não estava lá?
Ele correu. Fugido. Covarde.
Se disse incapaz de dar conta.
Bateu a porta.
E eu acatei a sua decisão.
Não foi fácil.
Nunca é.
Era ciranda.
Ele ia e vinha.
Se enroscava com uma aqui e ali no meio fio.
Provocava a minha razão.
Nunca se deu conta do real valor que tinha – ao menos pra mim!
Ele sabotava as tentativas.
Não se empenhava em depois.
Tinha fuga pronta. E isso massacrava meu coração.
Ele nunca se viu do outro lado.
Nunca pesou suas ações.
Enxergava o mais confortável pra ele.
E eu me virava do jeito que dava.
Na mão que o expulsava também deixava uma brecha pra ele se acomodar quando voltasse – me acostumei a vê-lo voltar.
Indeciso. Inseguro. Incerto.
Nada casava.
Não havia encaixe.
Forçava o molde.
Mas coração apaixonado enxerga algo com clareza?
Jamais.
Se nutre dessas expectativas adolescentes que dão aquele frescor de nada ser impossível ou improvável.
A insistência se alimenta com prontidão.
Os nãos e os tropeços nutrem a tentativa de arriscar de novo e de novo.
Ele me escreveu sem medir o espaço.
Sem considerar os danos.
Duvido que tenha cogitado o tamanho do estrago.
Ele só visa a sua necessidade mórbida de cutucar uma ferida que batalhei anos pra costurar.
Teste de paciência?
Ainda não sei.
Mas confesso que é engraçada essa mania de achar que tudo pode ser recuperado.
Sou feita de tantas outras escolhas depois desse desengano.
Sou tão mais pé no chão.
Caramba, ele não aprendeu nada?
Tem certeza?
Não serei eu a mostrar o preço que a gente paga por ser inconstante.

Marcely Pieroni Gastaldi

(Quase) passado

Segunda-feira.

Chove sem parar.

O frio chegou mais cedo.

Revi nosso histórico.

(Re)li toda a nossa trajetória.

Pesei os prós e contras.

Medi novamente o nosso amor.

Se é que isso é amor.

Soa tão tóxico.

Tão pesado.

Tão cheio de vontades engasgadas.

Não desenrola.

Tem sempre um porquê atravessado.

Um desencontro mascarado de desculpa pronta.

Não é pra ser. Será?

Cadê as forças pra admitir que já perdemos tempo demais nos deslocando no espaço do outro.

Eu estava quieta. Segura.

Depois que você burlou o meu silêncio tudo respinga saudade.

Tudo me lembra você.

Tudo me leva até nós.

E parece que você se recolheu outra vez.

Que saco.

Sempre a mesma história.

Cutuca a casquinha da ferida e não fica pra remediar.

Decida-se.

Meu peito não dá mais conta.

E nas voltas que a vida deu, escolhi seguir meu coração.

Mas não me obrigo a ficar onde a covardia se aloja.

Marcely Pieroni Gastaldi

Descombinando você do coração.

Tenho me questionado se o tempo há de perdoar a ausência.
Se vou findar sem preencher as horas de carência com algum encontro combinado de última hora.
Tudo para te deslocar do foco.
Quero que você desapareça.
Que ocupe de novo as memórias esquecidas do que poderia ter sido e não foi.
Mas você não ajuda.
Judia.
Maltrata.
Procura.
Pede calma.
Está vivendo o ápice de suas loucuras e me quer no meio delas?
Não vê que machuca?
Que me esfola inteira?
E eu deixo.
Porque fico pensando nas tantas vezes que te pedi pra ir embora e você não foi.
Mas eu fui.
Eu precisava cortar o ciclo.
Precisava esvaziar o peito de você.
Dessas esperanças espremidas de te ter por perto de novo.
Você voltou sem juízo.
Não teve cuidado.
Abriu a mala de mão e jogou todas as memórias na mesa.
Me fez voltar atrás.
Coração balançou.
E eu tentei não dar espaço.
Aprendi que com o tempo tudo se acerta e se acalma.
Mas você é furacão.
Não me deixa de pé.
Sempre me puxa pra baixo.
Sempre me pede pra esperar enquanto tenta retomar o fôlego.
Mas não dá brecha.
Não dá condições pra eu acreditar que de fato será diferente.
Você me pede sua mas não decide.
Não se basta.
Não põe as cartas na mesa.
Se engana. E tenha me iludir.
Meu coração não é seu picadeiro.
Meu amor não é um capricho.

Marcely Pieroni Gastaldi

Agosto ainda clama (re) começo.

Eu não esqueço.

Passam os dias e os anos.

Caramba.

Passa depressa.

Quase voando.

E me dou conta que o pior já passou.

Se é que teve um lado tão ruim assim.

Foi tão sorrateiro.

Tão cheio de cores e sabores.

Foi meu.

Não houve nosso.

Rompemos.

Gritamos silenciosamente um com o outro.

E cá estamos.

Cada um do seu lado.

Vivendo o que queríamos de fato.

Ainda sobra respeito.

Que bom.

Olho com ternura essas páginas bonitas que por dias pareceram totalmente desconexas.

A gente muda.

Enxerga com clareza o que antes não tinha nitidez.

Mas não deixa de encaixar.

Faz parte.

Dá liga.

Ainda é você.

E ainda sou eu.

Mudados? Claro.

Mais seguros também.

Suponho que tenha valido a pena pra você.

Porque pra mim continua valendo.

Tive meus momentos de rouquidão.

De saudade entalada.

Desespero por não mais me (re)conhecer.

Mas passou.

Aprendi tanto com os calafrios que me percorreram a pele pela dúvida.

E valeu cada segundo de não que aprendi a dizer.

Agosto ainda me remete um tanto de você.

Coisa leve de sentir.

E vale a memória.

Que esteja bem.

E feliz.

Marcely Pieroni Gastaldi

Sempre volto

Ando sumida.
Tanta coisa acontecendo.
Tantas mudanças me preenchendo.
É um pouco trabalhoso, mas devo adiantar que vale a pena o esforço.
Pausar pra se ouvir.
Pra se (re)descobrir.
Inverter os papéis.
Ser a vilã ao invés de mocinha.
Se policiar e se por de castigo.
Abrandar o peito enquanto sente suas urgências queimarem a pele.
Ando sumida.
Porém mais paciente que nunca.
Ando contradizendo algumas teorias que havia escrito também.
O que antes soava encontro hoje suspira um tanto de espera.
Saber a hora certa de se caber pra não extravasar demais no molde.
Considerar que nem tudo se alinha na órbita desejada é um bônus.
Sofre menos. Incide menos expectativas também.
Ando sumida.
Com uma preguiça danada de gente oca.
Esgotada de vazios nada simbólicos.
Onde é que o amor foi parar?
Não digo de conjunto.
Nada par.
O ímpar? Cadê?
Você não se aceita? Não se assume? Não se gosta o bastante pra apostar no que lhe faz bem?
Que desespero maroto é esse?
Tapar o sol com a peneira resolve o que?
Ando sumida. Em paz.
Refeita.
E feliz da vida. Aliás.

Marcely Pieroni Gastaldi